O que é e como construir um fundo de emergência

O que é um Fundo de Emergência?

Na sociedade contemporânea, muitas são as circunstâncias que nos podem deixar, de um momento para o outro, numa situação de grave adversidade económica. De doenças, a desemprego, passando por obras em casa ou problemas com viaturas, múltiplos são os contratempos capazes de colocar as suas finanças pessoais em alvoroço.

Torna-se assim imperativo ter o que no discurso corrente chamamos de “pé-de-meia”. Quanto mais estruturada e organizada for esta reserva financeira, maior garantia de tranquilidade lhe garantirá. A criação de um fundo de emergência é um passo fulcral para um sentimento de segurança a nível económico, colmatando a inevitável incerteza reservada pelo futuro.

Simplificando a sua definição, o fundo de emergência consiste numa poupança que nos permite colocar algum dinheiro de parte, o qual servirá de reserva caso uma situação de emergência ocorra. É uma das mais importantes e poderosas ferramentas de finanças pessoais.

Desta forma, não há um público-alvo claro identificável quando falamos de fundos de emergência. Todo e qualquer cidadão em idade laboral, quer se trate de um trabalhador independente, assalariado pequeno ou grande empresário, deverá equacionar a possibilidade de vir a recorrer a uma destas imprescindíveis almofadas financeiras.

Criação de um Fundo de Emergência: quais os passos essenciais?

A criação de um fundo de emergência vai presumir um mapeamento exaustivo das finanças pessoais de quem o cria, considerando todas as despesas mensais antes de pensar no valor alocado para esta poupança.

1 – Considerar os rendimentos antes de definir um valor

Deveremos ter em conta, à partida, quais os rendimentos de quem está a começar o Fundo, de forma a equacionar um valor realista e atingível para o arranque.

O montante presente deverá ter em vista a proteção necessária para gastos inesperados, mas, de forma expectável, não poderá ser demasiado exigente para o bolso de quem estabelece esta poupança.

Portanto, os seus rendimentos mensais são sempre o ponto de partida para esta jornada analítica. Esta conta será mais simples se tiver um salário fixo. Contudo, um trabalhador independente precisará de colocar mãos à massa e definir, de forma detalhada, os seus gastos mensais criando um registo que equacione o seu rendimento médio.

2 – Equacionar as despesas fixas e variáveis

Para além dos rendimentos é importante compreender quando é, todos os meses, gasto em despesas como: montante correspondente a responsabilidades mensais fixas (créditos, contas da água, luz, electricidade, internet), dinheiro gasto em alimentação, eventuais despesas ocasionais, entre outras.

Este cálculo deverá ser o mais rigoroso possível, para que os restantes passos reflitam a realidade das suas finanças pessoais. O exercício passa por uma vistoria das suas finanças, reunindo todas as suas faturas e traçando uma clara separação entre as despesas essenciais e as  despesas supérfluas.

É importante habituar-se a mensurar esta pequena folga, alcançada entre o valor ganho e gasto, podendo assim começar a equacionar, a nível mensal, uma poupança a partir desta diferença de valores. Uma folha de Excel poderá ser uma aliada destes cálculos essenciais.

3 – Fasear a constituição do Fundo de Emergência

Antes de constituir o seu fundo,  o primeiro passo será então colocar em jogo a diferença entre o seu rendimento mensal, os seus gastos e o valor aproximado que resta por mês.

Um fundo de emergência razoavelmente seguro irá proteger o seu constituinte com recursos financeiros capazes de responderem às despesas fixas de um período de 3 a 6 meses. Ou seja,  a título de exemplo, caso a sua remuneração seja 800€ e as suas despesas fixas 400€, com 50% da remuneração aplicada em gastos, então um fundo aceitável rondaria os 2400 euros (400 euros de gastos multiplicados por 6 meses).

Outros especialistas em finanças pessoas aconselham, perante a constante instabilidade e as sucessivas crises económicas com impacto nos mais diversos setores de atividade, que cada pessoa tenha um fundo de emergência capaz de cobrir as suas despesas totais de 6 a 12 meses.  Contudo, a avaliação deste valor é variável e, em último caso, cabe apenas ao próprio definir.

Com a a baliza temporal estipulada, basta equacionar quanto dinheiro queremos colocar no fundo ao final de cada mês. A título de exemplo, poderia querer colocar de lado metade do rendimento excedente ao final do mês, ou seja, 200€. Tal iria significar que, para atingir o valor do fundo mínimo recomendável (6 meses de gastos poupados), passaria 12 meses a poupar, mensalmente,  25% do seu rendimento.

Contudo, esta é apenas uma sugestão, dependendo o valor mensal dedicado ao fundo inteiramente da disponibilidade e fundos de quem o constitui. O importante será, à partida e de forma regulada, manter um registo claro de todas as variações de valores.

4 – Onde aplicar o seu dinheiro

Um fundo de emergência é um montante que deverá estar sempre “à mão”, sendo fácil movê-lo de acordo com a necessidade. Este valor não deve ser muito variável e deve ser de fácil acessibilidade.

Tal irá excluir, à partida, diversos possíveis investimentos, como por exemplo em mercados de capitais (em ações, obrigações ou fundos mistos). Apesar da sua elevada liquidez, estes investimentos caracterizam-se por uma elevada volatilidade que aqui deverá ser evitada. Por isso, caso escolha esta hipótese, deverá equacionar colocar 20 a 30% a mais para além do valor fundamental para a solidez do fundo, de forma a prever flutuações.

Por outro lado, deverá evitar todos os investimentos desprovidos de liquidez, como bens imobiliários ou depósitos a prazo, podendo sair com graves prejuízos destas operações ao retirar o capital sem grande antecedência.

Ponderando um risco mais baixo, os depósitos à ordem podem ter taxas bastante baixas mas , por outro lado, não comportam a volatilidade dos outros investimentos equacionados. Em Portugal, duas apostas adequadas poderão ser os Certificados de Aforro (CA) (mínimo de 100€ e 3 meses para constituição)  e os Certificados do Tesouro (CT) (requerem 1000€ e um mínimo de 12 meses como condição de constituição).

Estes ativos, operados pelos CTT – Correios de Portugal, apresentam baixa rentabilidade mas são, ainda assim, mais lucrativos quando comparados com as propostas oferecidas pelos Bancos. O facto de serem garantidos pelo Estado dá-lhes outro nível de segurança.

As suas taxas começam à volta dos 0.75% de juro, contudo subida e prémios de permanência são também equacionáveis aquando do cálculo da poupança obtida.

5- Como garantir a sustentabilidade do seu investimento

Com o Fundo de Emergência já estabelecido, é também importante garantir que este não sofre flutuações desnecessárias e que não sente a tentação de comprometer a integridade do mesmo. Para evitar descuidos, não associe cartões de débito ou crédito a esta conta, nem tão pouco a use para levantamentos.

Outro “truque” útil passaria por automatizar o processo de poupança tranferindo por exemplo uma % invariável da sua remuneração, todos os meses, para o seu Fundo.

Ter um fundo de emergência é também ter um mindset, uma filosofia distinta no que diz respeito às suas finanças pessoais. Corte em despesas supérfluas ou substituíveis por alternativas mais em conta, de forma a que a construção do seu fundo se torne estável e orgânica.

Utilize esta “almofada” apenas quando for estritamente necessário, e não para umas férias ou entrada de um carro novo, por mais tentador que possa parecer. Caso precise de gastar o seu fundo, não deixe de o repor o mais depressa possível, mantendo o equilíbrio das suas contas.

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